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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Perda


Sou pai de três filhos: o João, o Pedro e o Paulo. Em Agosto de 1997 partiu o João para a vida eterna.
A propósito deste acontecimento, certo dia recebi uma mensagem da minha amiga Vanda e retive uma parte que passo a transcrever:
“....a perda do João foi a dor mais intensa fora de todos os limites, mas foi também o arranque para uma nova vida...não consigo nem imaginar a dor da perda de um filho... e mais adiante... ficou lá um vazio que tenta preencher e tem conseguido com o pensamento do além e com a mão de Deus...”
Estas palavras motivaram a crónica que intitulei “ Perda “.
O João após muito sofrimento partiu para a vida eterna como já referi.
Acredito na imortalidade da alma (a vida continua). Por isso a vida eterna. Assim concebo a nossa existência.
Agora, mais esclarecido para mim não houve uma perda, mas a ausência física (muitas saudades, quem as não tem!), mas foi numa “viagem” que um dia todos nós a faremos.
Como superei tudo isto?
Pela imortalidade da alma eu compreendi que a morte faz parte da Vida tal como o nascimento. Morte é vida!
São o começo e o fim desta passagem.
Vivo os meus dias com a convicção que o João nos acompanha e só nos separa um véu. Vivemos no plano terreno e ele no plano espiritual. Sinto-o sempre presente!
O seu cheiro, o seu sorriso a sua tolerância, o seu olhar de compaixão, não me abandonam.
Pensando que a sua alma está bem iluminada, a minha vida decorre, procurando evoluir para ser útil ao próximo e, olhar atentamente pelos outros filhos Pedro e Paulo. Acompanhar os seus caminhos...
De facto, como dizia a minha amiga Vanda “foi o arranque para uma nova vida”.Deus sabe que passei a ver a vida de outra forma; lição de vida!
Serenamente, fico nas Suas Mãos, aguardando a minha hora de: morte é vida!

José Manuel Brazão

Percurso de vida


Caminho longo
percorrido
com obstáculos
que superei,
uns por mim
e outros ajudado!

Por quem?
Alguém!

No caminho longo
encontrei de tudo,
coisas boas e más.
Pessoas
que me davam a mão,
pessoas
que me traziam no coração,
mas ele era artificial!

Uns
ficaram para sempre.
Outros
ficaram pelo caminho!

Eu
continuo o percurso,
caminho longo…

José Manuel Brazão

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Reflexo de Luz


És um reflexo de Luz,
vindo do Céu para a Terra!
És a continuidade da beleza,
que me paira na memória.
Ela onde chegava,
parecia Sol.
Luz,
muita Luz!
Contigo acontece o mesmo …
Luz,
Muita Luz.
Continuidade?
Assim seja …
A tua sinceridade,
a humildade
e a sensatez,
aprendeste com Ela,
sem dares por isso.
É um mistério,
que começas a entender:
a Vida!
O teu caminho na Vida!
O esplendor em Ambas será:
Amor,
muito Amor!
A voz do coração a dizer:
palavras de amor, de compaixão
e de tolerância!
Olhas para o Céu
e procuras essa Luz.
Ela não se vê!
É um reflexo…

José Manuel Brazão

Pensando em ti!


Em cada momento
o meu pensamento
está em ti!

Pensando,
pensando em ti,
vejo o céu azul,
sorrindo para mim!

Pensando,
pensando em ti,
vejo o sol radiante,
com muita Luz
que me cega de amor!

Pensando,
pensando em ti,
vejo a vida
com alegria,
com outro sabor!
Doce,
simplesmente doce!

Pensando,
pensando em ti,
sinto
na minha Alma,
amor e mais amor,
sinto
no meu corpo
desejo e prazer,
pensando em ti,
somente em ti!

José Manuel Brazão

Pássaro do amor


Voo por aí,
vales, montes,
terras e mares.

Em cada sítio,
paro.

Deixo
alegria,
uma palavra,
um carinho,
um afecto,
força de viver!

Deixo
uma lágrima,
um consolo,
uma esperança!

Sou
um pássaro do amor
com figura humana,
com a voz do coração.
deixando um rasto de luz!

José Manuel Brazão

Palavras (coitadas delas)


Palavras
muitas palavras!

Coitadas delas
que são usadas
como belas
para atrair,
como ruins
para trair!

Coitadas delas,
que são usadas
como meras palavras,
quando o seu uso,
será para educar,
denunciar
e até libertar!

Palavras
muitas palavras!

Coitadas delas,
que são usadas
e abusadas,
por quem pensa
que é
o que não é!

José Manuel Brazão

Pais disponíveis


Em tempos pensava qual seria o tipo de vida dos pais sem filhos, quando chegassem a uma idade mais avançada . Sentir-se-iam sós? Entregar-se-iam ao voluntariado? Ou deixariam a vida decorrer? É interessante ter encontrado nos meus Amigos Aurora e Fernando a desmistificação das minhas terrogações.Eles estão ocupadíssimos na missão de pais disponíveis há bastantes anos. Entregaram-se como orientadores e conselheiros de jovens que conheço, e de todos os outros jovens e mais velhos que necessitam das suas palavras e dos seus gestos. Sei que dão com muito amor! Eu próprio já sou exemplo disso! Vejo neles uma felicidade como se fossem pais biológicos. No entanto, não precisam dessa condição ou qualificação, porque a Vida concedei-lhes esta missão . Que o digam os beneficiados com o seu Amor e dedicação!

José Manuel Brazão

Outono da minha vida


As folhas caem
como desfalecidas.
O vento as leva
e outras nascem.
Nós partimos
e outros chegam.
Ainda estou vivendo;
o meu Outono!
O corpo dorido
e as folhas amarelecidas,
parecem Outono.
O meu Outono é Inverno:
frio, triste, doente.
Não há agasalho
que aqueça a minha tristeza,
nem um sol nascente,
que traga de volta a alegria.
Outono:
folhas caídas sem destino
que leva o vento.
Agarrado à esperança,
espero pela bonança,
para ser folha com destino …

José Manuel Brazão

Ouço a chuva, limpo lágrimas


No silêncio da noite,
ouço chuva,
sinto-me triste,
e pelo meu corpo
correm saudades
de tudo
e de todos…

Neste silêncio
nascem coisas belas,
como se me asfixiam as ideias,
que me contrasta
com o que sou,
ficando perdido,
sem saber para onde vou…

Luto com este silêncio,
ouvindo a chuva!
Misturo-me com ela,
para que lave meu corpo,
me purifique!

Vou andando,
aceito a chuva,
como uma bênção,
pelo amor
que tenho dentro mim,
que não se cansou,
de amar tanto;

Meu pobre coração,
que tanto aguenta
de resignação,
pelos esquecidos
e pelos não queridos.

Pela minha face
escorre chuva e lágrimas.

Continuo a ouvir
e a sentir a chuva
e limpo as lágrimas…

José Manuel Brazão

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Os meus silêncios


com um sinto-me bem,
com o outro lido mal.
O silêncio que me rodeia,
perturba-me:
pelo desapego,
pela indiferença
e quase
pela não existência.
Mas eu existo!
Enquanto não descobrirem:
quem sou,
porque sou
e para o que vim,
com este silêncio lidarei mal.
Conforto a minha existência
com o outro silêncio,
o silêncio interior!
Aí se juntam o amor e o coração,
havendo sintonia,
com outros seres de Luz,
que provocam em mim,
com persistência,
paz e harmonia.
Nem que seja por instantes,
alimenta-me a Alma;
ganho forças para continuar,
o meu Caminho,
este longo Caminho …

José Manuel Brazão