Outros Blogs do meu grupo:

*

*

sábado, 23 de junho de 2012

Rifa-se um coração – Clarice Lispector


Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário. 

Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...

Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.

Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.

Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.

Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer... "

Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.

Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.

Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta.

Clarice Lispector


A Poeta Patricia Ximenes enviou-me hoje este poema da Clarice.
Querida Paty
Muito obrigado e entendi este gesto como um sinal dos tempos.
Sei bem da tua sensibilidade para comigo! Conheces muito bem
o que escrevo e o que sinto!
Beijooo grande
do 

* Clarice não podia expressar melhor como eu estou vivendo neste momento!


Clarice é uma das minhas escritoras preferidas, gosto da maneira como ela dispõe as palavras na poesia e nos contos!
Encantada por ela
Su 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

No resto da minha Vida...


Já pouco me resta...
Já muito levaram de mim
por casos da Vida...
partidas para além do azul
de filho, pais, irmãos,
gente querida, muito amada,
além dos amores da minha Vida,
vividos com intensidade
e a ansiada felicidade!

Guardo o que pude guardar
neste coração sensível,
que é o meu cofre,
porque tudo vivido
em horas tristes e alegres,
são as minhas joias!
Riqueza assim não há igual...
Nem tudo levaram:
existe a minha Poesia,
escrevendo sempre
pelo menos os primeiros
dos meus últimos poemas!

Não peço nada à Vida,
apenas aquilo que seja  merecedor,
um pouco de carinho e de amor!

José Manuel Brazão

Maravilhoso poema e ainda mais emocionante ler com a bela canção de fundo! =D
Abraço poeta
e tenha uma boa Noite!




Sonhos meus...


É bom sonhar...
E ficamos com a sensação
duma vida ideal,
mas no acordar
vimos o real e aí
só há um caminho:
coragem e superar,
recolhendo as pedras
que encontrámos
e ignorámos
que serão um monte de ilusões!


Caminho livre
e avançamos
renovando a Vida,
dos hábitos,
das atitudes
e até seleccionando
os Amigos
- aqueles da forma pura de amar –
e a Vida sorrirá,
o Sol abrirá
e a Lua contemplará!


Olhando para trás
veremos o tempo perdido
e aprendido,
mas saberemos
que todo o Tempo é tempo
de corrigir o que errámos
e ver como a Vida se tornou mais bela!

José Manuel Brazão

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Que a estrela não se apague!



O amor é uma estrela
entre as mais brilhantes!


O amor
é um sentimento
para viver
e fortalecer!


O amor
é vida!
Não é teatro,
para haver ensaios!


O amor
não é um lamento,
mas uma convicção
em que fala o coração!


Sem amor
a vida não faz sentido!


Que a estrela não se apague!


José Manuel Brazão

És a rosa das rosas


Se eu pudesse …

vestia o teu corpo
de rosas vermelhas!
Olhava-te,
seduzia-te …

Ao meu redor,
exalava do teu corpo,
o aroma das rosas.

Desse corpo
de incontida paixão,
tirei uma a uma,
cada rosa vermelha.

Teu corpo ficou belo,
muito belo …
sofri,
perante o meu oásis!!!

José Manuel Brazão


[....]

Cada rosa com que enfeitaste meu corpo
De botões desabrocharam-se em flor
E são milhares de botões
Caindo em pétalas de diversos matizes
Todos eles em tons de vermelho-paixão
Lembrando-me cheiros do nosso amor
Forte, intenso e lascivo
Eternizados na beleza e na cor
Comemos cada pedaço dessa maçã-do-amor
Reminiscências de cada momento vivido
E nosso sofrer pela distância
Torna-se belo e calmo
Diante da grandeza do oásis almejado.

Luciana Silveira

Nas mãos do Poeta................. Um tributo entre dois Poetas


Nas mãos do Poeta - Anna e ZÉ:

A Poeta Anna Carvalho por razões pessoais deixou de pertencer ao meu grupo de Blogs. Por minha vontade e com o seu conhecimento fica na rede Blogger o nosso Blog "Amor sem limites".

Porém deixo mais uma vez a minha gratidão e a admiração e respeito que manteremos na Vida e na Poesia!
Um dia voltaremos à nossa Poesia no Além!

Beijoo grande

do ZÉ
José Manuel Brazão


Não há vontade que se acabe!



Vivo em ti

mesmo que a Vida
nem sempre esteja próxima!

No teu corpo escondes
o que te vai na alma,
amor cúmplice
e um coração
que vive junto do meu!

Corpos que se consolam
nos momentos só nossos,
que sonham com o belo da Vida,
com o momento certo
e seus corações clamam:
não há vontade que se acabe!

 José Manuel Brazão

terça-feira, 19 de junho de 2012

Abres a janela da Vida


Um sono tranquilo
com sonhos lindos
de momentos vvidos
e amanheces diferente!

Abres a janela da vida,
olhas o horizonte,
imaginas o mar junto de ti,
sentes o seu cheiro,
uma maresia de amor!

Ansiosa por noticias,
procuras esse mar;
vem uma onda a teus pés,
abraças, beijas
como uma onda com amor,
que terá um destino...
Eu espero-a com volta!

José Manuel Brazão




Mãe que és tão especial!


Mãe com
três palavras apenas
e a dimensão de amor,
carinho e dedicação
que tens nesta Vida!

Só como Mãe e Pai
constrois o caminho
dessa criança
que além do nome
lhe chamo futuro!

Sofro contigo
as horas de angústia
e ansiedade
na tua busca
do seu rumo
da sua felicidade
até à vitória final!

José Manuel Brazão

* Além de Minha Mãe sempre em mim, o meu pensamento para outra Mãe especial  (minha querida Aurora) * 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Paz no reencontro


Suspirámos
no tempo,
a busca dessa paz,
que nos fugia,
quando antes
permanecia em nós!


Buscámos
no tempo,
a razão dessa ausência!


Lutámos
no tempo,
pela sua reconquista!


Reencontrámos
neste tempo,
tu como anjo meu
e eu como anjo teu,
essa paz rejuvenescida
com tudo que a compõe:
a compreensão,
a tolerância,
a amizade,
tudo
com muito amor!


Um encanto que voltou
por uma esperança
nunca perdida,
porque ficaram em nós,
as raízes desse amor!


José Manuel Brazão